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Ainda não é possível encontrar a palavra francesa terroir em um dicionário da língua portuguesa, mas este termo está aparecendo cada dia mais no nosso vocabulário habitual. Têm a sua origem etimológica no latim com o termo terratorium, mesma origem do nosso termo território. Na prática esse substantivo é utilizado no mundo todo para demarcar uma extensão limitada de terra à partir das suas qualidades agrícolas.

No meu último post falei como esse conceito é aplicado no mundo do café, com a visão na formação das características gustativas que sentimos nas nossas xícaras. Mas terroir é muito mais que isso, é a formação da identidade local de uma comunidade de produtores, assim como o fortalecimento do café brasileiro mundo a fora.

Regiões como o Cerrado Mineiro, a Alta Mogiana, o Sul de Minas e o Norte Pioneiro, entre diversas outras, estão exercendo esse papel de fortalecimento da nossa identidade cafeeira, e se destacando com grãos de qualidade. Mas o que mais chama a atenção é a utilização dessas denominações de origem aqui dentro do Brasil, sinal que estamos reconhecendo o nosso paladar. E isso significa que nossa geração está bebendo cafés melhores do que os nossos pais e avós.

Prova disso é o número de cafeterias que possibilitam aos clientes a escolha do grão, um grande avanço, indicando que estamos ganhando autonomia nas nossas xícaras. Mas para fazermos escolhas mais assertivas e harmônicas para o nosso paladar, é necessário apenas uma coisa: se arriscar! Se você não sair da sua zona de conforto e experimentar todos os terroirs a sua disposição vai estar se privando de novas sensações na sua xícara.

O incrível é ver o mundo de possibilidades que se abre quando começamos a explorar este universo do café de origem. O primeiro passo é compreender o que se pode buscar em uma xícara de café do Cerrado Mineiro, por exemplo: o aroma amendoado balanceado com uma acidez leve, duas características base desse terroir. Ai é possível explorar os diversos grãos dentro desse universo e entender como essas características variam de uma fazenda a outra. Por fim, imagine esse conjunto de diversos grãos multiplicado pelos mais de 100 tipos de preparos existentes no mundo, viu como as possibilidades são infinitas?

Busque se informar sobre os cafés que você tem a disposição, converse com os baristas da sua cafeteria preferida e peça indicação do terroir que vai encaixar melhor com o seu humor do dia, seja ele ácido, doce ou amargo.

Quem ganhará mais com tudo isso é o seu paladar, que crescerá exponencialmente a cada xícara de um terroir diferente que você experimentar. Por isso na próxima vez que parar para tomar um cafezinho, fique atento ao seu paladar e vá construindo as suas preferências!

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