Ele tem uma família que gosta de se reunir e cozinhar e, segundo sua análise, faz as duas coisas muito bem. Tão bem que ele nunca se atreveu a dividir o espaço da cozinha com seus pares e, por muito tempo, preferiu ficar apenas com a primeira parte: se reunir.

Porém, inquieto, procurou alguma lacuna para se fazer presente. “Eu comecei a levar uns cafés, e como a família gostou, cuidava para escolher um rótulo diferenciado”.

Ao mesmo tempo que sua atitude começou a ser percebida nas reuniões, sua preocupação em aprender mais sobre esta bebida aumentava na mesma proporção. “Comecei a frequentar cafeterias para tomar espresso, mas não gostei muito”. Depois de alguns minutos de conversa, e alguns cafés compartilhados, juntos, percebemos que esta rejeição poderia ser pelos lugares que ele frequentava, que não eram nenhuma referência, ou pela ainda falta de paladar que este método exige.

Ao contrário do que a maioria faz, ele continuou a aprender mais e mais sobre cafés, talvez pela curiosidade de compreender a extração do espresso que tanto lhe intrigava, ou pela responsabilidade cada vez maior nas reuniões familiares.

“Não lembro como aconteceu, mas vi que iria ter um evento de café no qual o movimento Drink Good Coffee estava promovendo”.

Já no Lucca Lab, preparado para tomar muito café, depois de meia hora de curso percebeu que não iria fazer outra coisa além de cheirar, provar o café diluído em água quente com uma colherzinha e cuspir. Na verdade, o evento era um cupping, um ritual que provadores de cafés usam para testar os diferentes grãos. “Não tomei um gole de café, mas saí de lá com outra visão”.

O que era antes uma bebida apenas para ser apreciada em família, virou sua meta. Queria trabalhar atrás de uma máquina de espresso. Depois de perceber que a maioria dos cursos de barista não caberia no seu bolso, começou a frequentar as principais cafeterias de Curitiba para aprender olhando os baristas. “Eu era chato, e ficava conversando com eles”.

Depois de um rápido curso com o Moço, e de um convite para trabalhar no Espresso 2222, Cauê Bohrer passa seus dias aprendendo e se divertindo com o café, sempre humilde em deixar claro que ainda não sabe nada.

Há algum tempo venho percebendo que o café é um agente transformador do nosso dia a dia, mas quando o conheci, sua história, além de reforçar minhas reflexões, mostrou que esta bebida pode transformar uma vida.

Cauê Bohrer não vai parar por aí, sua perseverança ainda será percebida além das fronteiras da Praça da Espanha e, se você acompanhar seu projeto @pedecafecwb no insta, também poderá fazer parte desta transformação.

Drink Good Coffee

Ação de divulgação de cafés especiais, promovida no Parque Barigui.

* Esta coluna, que tem o nome Paralelos, tem o objetivo de encontrar relações entre o café e a vida cotidiana, elevando nossa bebida do dia-a-dia a um patamar filosófico.

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