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SÃO PAULO (Reuters) – Associado ao crescimento do consumo de cafés de melhor qualidade, o Brasil observa uma intensificação da produção de grãos especiais arábica para além das tradicionais regiões cafeeiras de Minas Gerais, Estado dominante no setor no maior produtor e exportador global da commodity.

“Antes se falava muito dos cafés da Mantiqueira, mas vemos agora cafés incríveis em outras regiões, no Norte Pioneiro do Paraná, Mogiana Paulista, Cerrado, região do café mais caro do mundo no Cup of Excellence”, disse a presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Carmem Lucia Chaves de Brito.

Participando de evento que escolheu alguns dos melhores cafés do Brasil, na noite de quinta-feira, ela disse à Reuters que a produção brasileira de arábicas especiais deve crescer este ano na esteira da safra recorde, fruto de investimentos e novas técnicas agrícolas, mas também porque muitos cafeicultores estão se voltando para a produção do grão que tem maior valor agregado, em busca de melhores lucros.

Safra de café no Brasil

Trabalhadores descarregam sacas de 60kg de café no Porto de Santos, Brasil 10/12/2015 (REUTERS/Paulo Whitaker)

“No passado, era em torno de 5 milhões de sacas (a produção de cafés especiais do Brasil). Mas a gente acredita que é muito mais do que isso”, comentou ela, produtora em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, região que congrega grande parte da produção da melhor bebida do país.

Carmem Lucia ressaltou também entre as áreas de expansão na produção de cafés especiais a Serra do Caparaó, entre o Espírito Santo e Minas Gerais.

Ainda que os cafés especiais representem uma parcela menor das cerca de 60 milhões de sacas que o Brasil espera colher em 2018, a presidente da BSCA ressaltou que está crescente a oferta de produtos mais finos de outras regiões produtoras que não as de Minas Gerais, o que dá mais opções para compradores que precisam buscar tal produto em diversos países para formar o melhor “blend”.

“O Brasil cultiva cafés com características sensoriais e atributos diferenciados em todas as regiões. O comprador, em geral, tem que ir para outros países para comprar cafés com atributos sensoriais diferentes. No Brasil, ele pode encontrar produtos com todas essas características”, salientou Carmem Lucia.

O resultado do 27º concurso de cafés especiais da torrefadora italiana illycaffè, na noite de quinta-feira, em São Paulo, sinalizou esse movimento citado pela dirigente da BSCA.

Entre os 40 finalistas da disputa, a maioria é de Minas Gerais, que produz mais da metade de todo o café do Brasil. Mas a última edição do concurso promovido pela torrefadora registrou entre os ganhadores mais cafeicultores de outras áreas do que foi visto nos últimos anos: três de São Paulo e um de Goiás. No ano passado, por exemplo, apenas um produtor não era da região mineira.

“Temos um microclima bastante especial, nossa região tem características próprias, altitude, é frio no inverno, a maturação é tardia, a gente começa a colheita em agosto e não pega chuva na colheita”, contou sobre o seu produto Daniella Pelosini, de Pardinho, centro-oeste paulista, que ficou em quarto lugar na disputa.

Plantando em uma propriedade de 50 hectares comprada pelo pai na década de 1970, após a chamada geada negra que dizimou a cafeicultura nacional, Daniella disse que consegue fazer o produto especial em cerca de 50 por cento de sua colheita.

“Não tenho dúvida de que apostar no café especial é o caminho… O consumo do especial cresce absurdamente mais. O café está percorrendo o caminho do vinho, tem despertado mais interesse das pessoas.”

Segundo ela, o crescimento da produção de especiais é bom para toda a cadeia.

“Não existem dois produtos (cafés) iguais, não acreditamos em concorrentes no mercado de especiais, existe o que o comprador está buscando naquele momento”, disse Daniella, acreditando que produtores do norte do Paraná e Espírito Santo poderão se juntar aos finalistas do concurso no ano que vem.

Massimiliano Pogliani, o presidente-executivo da illycaffè, cujo blend é composto por cerca de 50 por cento de café arábica brasileiro, disse que é importante ter uma diversificação de regiões também para garantir a oferta de especiais, embora ele tenha destacado que o aroma de algumas origens, como da Etiópia, por exemplo, é único.

“O café é muito ligado a certos perfis aromáticos, que estão ligados à origem e ao ‘terroir’…”, afirmou ele à Reuters, ponderando que “quanto mais qualidade de mais regiões, mais o setor fica protegido de problemas que podem atingir a produção.

SURPRESA DO CENTRO-OESTE

Obtendo a sexta colocação no concurso nacional com menos de dez anos na atividade, o café da família Zancanaro mostra como se pode produzir uma bebida de qualidade em uma região pouco tradicional da cafeicultura, como o Centro-Oeste brasileiro.

Plantando 902 hectares de café em Cristalina (GO), com dez pivôs de irrigação, os Zancanaro ainda estão tentando recuperar o investimento que fizeram no negócio, em colhedoras, silos, beneficiamento. Mas isso não é motivo de desânimo para a família, que trocou o plantio de soja e feijão pelo café especial como forma de obter melhores ganhos.

“Ainda está empatando… No curto prazo acredito que dá pra recuperar sim o investimento”, disse Cristiane Zancanaro, da família que ficou entre os finalistas pela primeira vez no prestigiado concurso, conseguindo também a melhor colocação do produto de Goiás.

A certeza de lucros no futuro vem do preço pago pelo café especial, quase o dobro do valor de mercado de um produto normal em Goiás, e muitas vezes o triplo em outras regiões, disse ela.

Cristiane projeta atingir em algum momento um total de 40 por cento de café especial na colheita total da propriedade, estimada em 40 mil sacas. Atualmente, este índice está em dez.

“Quando falo 40, as pessoas arregalam o olho. Mas temos que sonhar… Se conseguirmos um pouco do nosso sonho, a gente já está no lucro, nem que os nossos filhos realizem isso algum dia”, disse Cristiane, lembrando que muitas famílias de cafeicultores estão na atividade há mais de cem anos.

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