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Café produzido por ex-atleta é vencedor de concursos e exportado para vários países.

Surfar era a vida de Clayton Monteiro. Há quase 20 anos, depois de pegar muita onda no litoral brasileiro, ele optou por uma mudança radical em sua vida. Clayton trocou as praias e o surfe pela cafeicultura em Minas Gerais. E o resultado não poderia ser melhor: o café produzido na propriedade dele, no Alto Caparaó, na Zona da Mata, virou referência de qualidade e ganhou o mundo.

O ex-surfista morava em São Paulo. Em 1996, aos 22 anos, ele tomou a decisão de voltar para a fazenda de seus pais para produzir café. A mudança veio depois de uma conversa com um tio, que brincou dizendo que “na cafeicultura trabalha-se apenas seis meses no ano”.

Para quem era apaixonado pelas ondas, Clayton elaborou um plano para sua vida. “Eu pensei: vou pra lá, fico seis meses no café e os outros seis na praia surfando. Só que já tem quase 20 anos que eu estou aqui em Minas e ainda não deu esses seis meses de praia”, brinca Clayton Monteiro.

Logo, ele percebeu que para ser cafeicultor é preciso dedicação. Muita gente na cidade não acreditou que ele se tornaria um agricultor de verdade. No entanto, o ex-atleta provou o contrário.

Com muito trabalho e estudo, aos poucos, Clayton foi aprendendo os segredos da atividade. “Eu enxergava que aqui tinha um potencial de qualidade muito grande e ficava triste, pois parecia que só eu estava vendo isso. Tive de provar que aqui existe café de qualidade”, diz.

A propriedade de Clayton, a Fazenda Ninho da Águia, fica na divisa com o Parque Nacional do Caparaó. Segundo o cafeicultor, o clima, a altitude e o solo fértil da região favorecem a produção de cafés de qualidade.

Os cafés produzidos na Fazenda Ninho da Águia passam por secagem natural (Foto: André Berlinck / EmaterMG)

Os cafés produzidos na Fazenda Ninho da Águia passam por secagem natural (Foto: André Berlinck / EmaterMG)

O produtor toma uma série de cuidados no cultivo do café. Por exemplo, os grãos são colhidos um a um, selecionados, e a secagem é natural e em terreiro suspenso e não são utilizados agrotóxicos na lavoura.

Para conseguir um café de qualidade, o produtor conta ainda com a orientação técnica da Emater (MG). Desde 2012, Clayton Monteiro tem sua propriedade certificada pelo Certifica Minas Café.

O programa do Governo de Minas Gerais estimula os produtores a adotarem boas práticas de produção, uma gestão moderna da propriedade e incentiva a preservação ambiental. “O Certifica Minas Café ajudou na organização e modernização da gestão da propriedade dele. Com isso, os riscos são reduzidos e aumentam as possibilidades de acerto”, comenta o coordenador técnico regional da Emater (MG), Paulo Roberto Vieira.

Por ano, a propriedade do Clayton Monteiro produz em média 350 sacas de café. Ele cultiva variedades, como Catuaíe Bourbon. A produção é vendida na região e para cafeterias de outros Estados. Mas boa parte é exportada para Inglaterra, Alemanha, França, Austrália e Japão. “Foi difícil aparecer e provar que aqui tem café de qualidade. Mas eu fui atrás e consegui entrar no mercado internacional”, conta o cafeicultor.

Concursos A dedicação do produtor e sua família à cafeicultura renderam reconhecimento. Em 2012, o café da propriedade foi escolhido como o melhor do Estado pelo Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas, organizado pela Emater(MG).

Em 2014, ficou em 1º lugar no Coffee of the Year, sendo reconhecido como o melhor café do Brasil. No mesmo ano, venceu outro concurso da Emater (MG), de melhor café das Matas de Minas. Para este ano, Clayton já se inscreveu no Coffee of the Year e novamente no Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas.

“Com essas conquistas, você ganha notoriedade, espaço no mercado que antes não tinha. Isso valoriza mais o seu produto e abre novas portas”, diz Clayton.

Atualmente, a Fazenda Ninho da Águia recebe turistas do Brasil e de outros países. As pessoas vão até o local para apreciar a natureza e saborear delícias da região como bolos, biscoitos, queijo e, claro, um excelente café.

Fonte: Globo Rural

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