Um café é muito mais do que uma bebida. Ele acorda, ele reúne, ele esquenta, ele te mantém ativo. E também te faz refletir. Foi refletindo por alguns minutos, acompanhado de um delicioso café recém coado, que algumas histórias vieram à tona, todas vivenciadas ao lado desta bebida.

Cada história que surgia formava paralelos interessantes com pensamentos que venho lendo e estudando, quase que lições de vida. Vou compartilhar uma.

Meu sócio e eu, estávamos esperando duas pessoas para começar uma reunião no homeoffice da empresa e, como de costume, começamos a preparar o café. Tomamos o cuidado de não preparar todo o processo da bebida para não estragar a surpresa do ritual, que muito agrada nossos convidados.

Escolhemos um café, moemos, e colocamos a água para ferver. O vapor d’água começava a trepidar a tampa da chaleira quando a campainha tocou. Timing perfeito, resultado de muitas reuniões e muitos cafés preparados.  Ao mesmo tempo que meu sócio conduzia nossas convidadas ao escritório eu os seguia, equilibrando os utensílios que iriam ajudar a coar o café.

Todos sentados, iniciei o processo. O “eu não gosto de café” de uma de nossas convidadas chegou a atrapalhar os movimentos sistematicamente circulares que faço para extrair o melhor sabor possível do café. Rapidamente meu sócio interviu justificando que ela deveria provar este café especial, pois ele não tinha nada parecido com a bebida que ela era acostumada”.

Segunda reunião. Estávamos dentro de uma cafeteria, não tinha como fugir do aroma do café recém torrado que nos atingia por todos os lados. Precisávamos avançar desde a última lição, na qual nossa convidada provou o café e resmungou um tímido “é bem diferente mesmo”, deixando de lado a xícara meio cheia, meio vazia.

Desta vez tinhamos a ajuda de profissionais e, por recomendação deles, pedimos um coado feito a partir de um blend que ficou bem equilibrado. Alí tive oportunidade de apresentar a história do café, as características da planta, as técnicas de beneficiamento e também os diferentes preparos.

Quando o café chegou, depois de toda aquelas histórias, parecia ter outro sabor. E tinha mesmo. O sabor que foi construído além dos 5 sentidos dava significado para aquela bebida preta que vinha em uma xícara branca, até então nunca explicada para nossa convidada.

Desta reunião, além de um maravilhoso novo projeto entre Lupi e Vivah, Lorena está caminhando a passos largos para se transformar em uma amante do café (mas ela ainda não sabe disso).

Todos nós, amantes do café especial, mesmo sem querer, temos uma responsabilidade grande em nossas mãos. Assumimos o papel de educador devendo, sempre que possível, explicitar os contextos do café, com o objetivo de oportunizar o aprendizado, muito distante de uma abordagem arbitrária, cercada de certos e errados.

* Este é o primeiro post de uma série que pretendo publicar aqui no Drink Good Coffee. Esta coluna, que tem o nome Paralelos, tem o objetivo de encontrar relações entre o café e a vida cotidiana, elevando nossa bebida do dia-a-dia a um patamar filosófico.

Foto: Munir Bucair Filho

Related Post