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O casal Hannah Hopcroft e Ernesto De Leonardi, ela da Nova Zelândia, ele da Argentina, se conheceram em Buenos Aires e sempre tiverem em conjunto o amor pelas viagens e pelo café. Essas duas paixões fizeram com que eles tivessem a ideia do projeto La Cafetera por America, que consiste em viajar de Kombi (casa e cafeteria) da Argentina até o México, servindo cafés especiais.

“Sempre que saíamos para tomar café nas ruas de Buenos Aires falávamos sobre os destinos que gostaríamos de conhecer, e assim tudo começou.  Cuba foi o primeiro destino que pensamos e depois veio o México. Ter a intenção de conhecer quase toda a América foi consequência. O que no princípio foi uma brincadeira, logo se tornou um sonho que um dia nos olhamos e fizemos a pergunta:  por que não realizar?”, conta Ernesto.

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Hannah e Ernesto em uma linda paisagem em Salta/Argentina

Mas foi o café que deu o impulso pra levar a ideia a sério. Hannah é barista, trabalhava em uma cafeteria em Buenos Aires, e sempre que chegava um turista de outro país da América Latina o que ela mais escutava era: “é difícil encontrar bons cafés na América do Sul”. Com o tempo, começaram a montar um possível roteiro pela América Latina, viajando em uma kombi, compartilhando experiências e cafés de qualidade.

“Quando encontramos a Olive, nossa kombi, casa e cafeteria sobre rodas, nos despedimos dos nossos amigos em Buenos Aires e partimos para nossa voltinha pela América”, acrescenta Hannah.

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O Drink Good Coffee entrevistou o casal enquanto eles estavam na Colômbia, mais precisamente na  Paisaje Cultural Cafetero de Colombia (Eje Cafetero), e a entrevista você confere abaixo:

Em que momento o café entrou na vida de vocês? 

No caso da Hannah, o café faz parte da sua vida desde os 14 anos. Toda quarta-feira, antes de ir para a escola, o pai dela a levava para tomar um café diferente nas cafeterias que estavam no caminho da escola, na Nova Zelândia. Essa atividade da quarta-feira tornou-se diária, e consequentemente despertou o interesse de fazer seu próprio café e aprender mais. No meu caso (Ernesto), o café entrou na minha vida através da Hannah. Ela trabalhava em uma cafeteria, e como eu queria conhecer mais o bairro de San Telmo, decidi me aventurar nas cafeterias por lá em busca de bons espressos. O espressos foram a desculpa para conversar com ela, um pouco complicado no início, porque Hannah não falava espanhol. Na verdade, sabia dizer um simples “Hola”, mas já era um começo.

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2 – Na visão de vocês, como percebem a cultura do café especial na América Latina? 

No momento, percorremos Argentina, Bolivia, Perú e Equador. Existem muitas diferenças na cultura do café, mas algo em comum é que o consumo se caracteriza pelo café solúvel, do tipo instantâneo. Nesses países existe uma grande propaganda a favor do consumo de tudo aquilo que não implica muito esforço/tempo, e ai que entram esses cafés. Os preços são baixos e falar pros consumidores a respeito dos cafés especiais ainda é um desafio.

Nosso objetivo é viajar pela América Latina e expandir a cultura do café especial. Durante a viagem, notamos que quando falamos de café especial necessitamos de dois fatores: curiosidade e desejo de provar. Nós sempre dizemos que o pior que pode acontecer é a pessoa não gostar do café. A curiosidade é o primeiro fator, graças a ela podemos mover as barreiras culturais e o café é uma delas, muito ligada em antigas tradições. Nesses países o café está associado somente a uma bebida negra, com sabor de grão queimado e sempre com açúcar. Queremos derrubar esses mitos construídos  ao redor do café.

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Com quais equipamentos/métodos vocês trabalham na viagem?

Atualmente temos Aeropress, Dripper, Chemex, uma French Press e estamos na busca de uma cafetera sifão e de uma Kalita. Na hora de planejar a viagem queríamos levar uma máquina de espresso mas por questões técnicas desistimos,  ai focamos no universo dos cafés filtrados.

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Acredito que passaram por inúmeras histórias. Quais foram os momentos mais felizes, e os mais difíceis até agora?

As histórias se somam dia a dia. Os momentos mas felizes são quando armamos nossa mesa e colocamos o quadro que diz “CAFÉ”. Encontramos a felicidade durante o trabalho, as vezes de 12 horas, e depois na hora de uma cerveja, mais do merecida. No momento de compartilhar o café e a conversa, é quando percebemos o sentido da nossa viagem. Não pensamos apenas nos lugares, mas também nos momentos que vivemos nesses lugares.

Momentos difíceis, passamos bastante. Um dos piores foi quando a Olive (Kombi) quebrou no meio do caos de La Paz (Bolívia), com a noite chegando. São aqueles momentos que não sabemos o que fazer mas precisamos agir de qualquer maneira, e rápido. Tomamos a decisão de buscar um mecânico que acabou complicando ainda mais o problema. Tivemos de dormir em um depósito de lixo às margens de uma colina e no dia seguinte o mecânico voltou e queria mudar o acordo. Como não aceitamos,  além de nos insultar, nos deixou parados no lixão no meio de La Paz.

Como vocês são recebidos pelos locais? 

Há sempre uma boa recepção e ao longo do tempo percebemos que nossa principal chamariz é a Olive. A América Latina é uma região extremamente favorável quando desejamos nos inserir no local, com espírito de sermos um novo vizinho.  Até agora fomos bem recebidos em todos os lugares que fomos.

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CAFETERA POR AMERICA EM NÚMEROS:

  • 19 mil quilômetros percorridos.
  • Mais de 1000 chícares de café servidos.
  • Visitaram mais de 100 lugares.
  • Conheceram 7 fazendas produtoras de cafés especiais.
  • 5 países visitados(Argentina, Bolívia, Perú, Equador e Colômbia).

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(Fotos: La Cafetera Por America)

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