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Quem consome os melhores cafés do brasil?

Seja pela manhã, depois do almoço ou no fim da tarde, o café está sempre presente no dia a dia dos brasileiros. Mesmo não abrindo mão do cafezinho, muitos se perguntam: os melhores cafés vão para fora e os que tomamos aqui só têm serragem?

Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), diz que não. “Até o início dos anos 1990, a produção de café em grãos era focada em grandes quantidades, não em qualidade. Hoje, isso mudou radicalmente. Essa versão de que os melhores cafés são só exportados é uma página virada na história do café no Brasil.”

Breno Mesquita, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e presidente da Comissão Nacional de Café, concorda. “Antigamente, isso era quase verdade absoluta. Em tese, o café mais depreciado ficava no Brasil. Hoje, isso mudou. De alguns anos para cá houve melhora na qualidade do café.”

Já para o pesquisador Antonio Bliska Junior, da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola) da Unicamp, os piores cafés ficam no país, pois os brasileiros se acostumaram a tomar um café muito forte, torrado em excesso e com muito açúcar, o que mascara o sabor real da bebida.

Armazém de Café

As grandes marcas ainda estão preocupadas com volume e não com a qualidade, porque elas não vendem para um mercado exigente. Mesmo não sendo café de qualidade, garantem um bom mercado.

Antonio Bliska Junior, pesquisador

Ele afirma, porém, que esse comportamento está mudando. “O brasileiro está aprendendo a tomar um café melhor. Se você for ao supermercado, já há uma oferta de produtos diferentes.”

Nosso café tem serragem e casca?

De acordo com uma instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é permitido no máximo 1% de impureza no café. As impurezas podem vir do próprio café, como cascas e paus, por exemplo, como também de pedras (torrões), serragem ou grãos e sementes de outras espécies, por exemplo.

Até o limite permitido, segundo Herszkowicz, os resíduos que não são nocivos e não prejudicam a qualidade do produto. Além disso, não é só a pouca quantidade de impurezas que faz um bom café, afirmam os especialistas.

“Existem outros critérios que é preciso levar em conta como o sabor, o aroma, a acidez e a doçura, por exemplo”, diz Eduardo Cesar Silva, pesquisador do centro de inteligência e mercado da Universidade Federal de Lavras.

A Abic possui um selo de qualidade do café e classifica a bebida em quatro categorias:

Tradicional: aquele consumido no dia a dia. É permitido misturar Arábica (70%) com Robusta (30%);
Extraforte: o tradicional, porém mais torrado. É permitido misturar Arábica (70%) com Robusta (30%);
Superior: possui uma qualidade melhor do que a dos anteriores e custa mais. É permitido misturar Arábica 85%) com Robusta (15%);
Gourmet: café com melhor qualidade. (Cafés 100% arábica)

Cafés Especiais: Não entram nas categorias da ABIC. São cafés de extrema qualidade com rastreabilidade

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Qualidade começa desde a colheita

O produtor pode vender um café comum, também chamado de commodity, ou um especial. Quem opta pelo café especial, com uma qualidade melhor, precisa tomar alguns cuidados que vão desde a colheita, segundo Mesquita. “Existem produtores que deixam o café no saco até o dia seguinte, isso faz perder a qualidade, e na hora de comercializar ele vai ter um café commodity.”

Silva afirma que a torra do café também pesa no produto final. Segundo ele, o café de supermercado tem a torra mais escura, o que pode estragar a qualidade porque não dá para perceber as características reais do grão.

Fiscalização

Segundo o Ministério da Agricultura, em 2010 foi estabelecido por instrução normativa o POC (Padrão Oficial da Classificação) do café torrado e moído. Porém, essa instrução deixou de valer em 2013. Com isso, o consumidor ficou sem a proteção de um órgão de fiscalização, segundo o ministério.

Apesar disso, a Abic afirma que faz o monitoramento da pureza e qualidade dos cafés. A empresa possui um selo de pureza. De acordo com Herszkowicz, são coletadas no mercado 3.000 amostras de café por ano e feitas análises em laboratórios credenciados. Se a empresa for associada e apresentar nível de impureza maior do que o permitido, a Abic alerta, notifica e até expulsa do quadro de associados dependendo da gravidade da infração.

No caso de empresas não associadas, a associação diz que faz uma denúncia para órgãos de defesa do consumidor e ao Ministério Público. “O programa ajuda a controlar e diminuir a fraude no café”, diz o presidente da Abic.

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