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Na última década, o Brasil driblou a concorrência internacional e conseguiu produzir uma bebida de alta qualidade. Além disso, o consumo do produto especial cresce acima de 10% ao ano, as cafeterias viraram bons investimentos e o mercado de cafés especiais é uma forte tendência, tanto dentro como fora de casa.

texto Barbara Oliveira

O Brasil passou a oferecer um café de melhor qualidade, com torrefação mais criteriosa, e aqueceu o comércio tanto para o preparo da bebida em casa, quanto para os estabelecimentos do setor de alimentação. A mudança se deu a partir de 1990, quando o produto deixou de ser apenas uma commodity. Atualmente, o País é reconhecido como o maior fornecedor de cafés de qualidade.

“Superamos os colombianos, africanos e a América Central. Empresas tradicionais como Nespresso, Illy, Lavazza e Starbucks começaram a comprar mais da metade de sua matéria-prima aqui”, informa o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), Nathan Herzskowicz.

E o mercado deve muito ao maior interesse do brasileiro pelo café gourmet. Diversas marcas chegaram às prateleiras dos supermercados, passando de zero, em 2000, para 160, em 2004, ao mesmo tempo em que houve investimentos em cafeterias e padarias.

O consumo do café especial é o que mais cresce nos mercados interno e externo, de 10% a 15% ao ano, bem mais que o café tradicional, que aumentou só 3% no País e um pouco menos no resto do mundo. As variedades em grão ou em pó ainda são as preferidas, com 81% do volume. “Mesmo nas crises de 2008 e 2009 não tivemos redução de vendas da bebida, e, no ano passado, houve um aumento médio de 0,86% em volume”, observa Herzskowicz.

Esse mercado se sustenta mesmo com a valorização do dólar, gerando mais receita de exportação, porém, internamente, provocando uma intensa negociação entre a indústria e o varejo para que os custos não causem tanto impacto no bolso do consumidor.

A ABIC registrou aumentos de 16% de janeiro a dezembro do ano passado nos preços dos produtos tradicionais, enquanto os dos tipos gourmet cresceram 0,3%. Já a Associação Paulista de Supermercados (APAS) afirma que, de janeiro a março de 2016, esses índices foram de 3,2% e de 2,5%, respectivamente, mantendo-se mais ou menos estáveis.

O crescimento do mercado do café no Brasil também influenciou o aumento do número de cafeterias. Para se ter uma ideia, já existe até um guia desses estabelecimentos, listando 300 unidades, embora a ABIC estime que sejam aproximadamente 3 mil, considerando padarias que se especializaram. Há ainda uma edição especial da Feira Internacional de Produtos e Serviços para a Alimentação Fora do Lar (Fispal) dedicada exclusivamente ao produto, a Fispal Café.

Confira a reportagem na íntegra, publicada no revista Conselhos.

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