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(Texto: Guilherme Grandi // Foto: Munir Bucair Filho)

No entanto, é preciso saber mais do que apenas transformar cafés especiais em bebidas bem elaboradas.

A especialista em tecnologia da informação Ana Argenta sempre foi uma apaixonada por cafés, desde pequena quando os pais preparavam a bebida em casa lá na cidade de Caçador, no interior de Santa Catarina. O aroma do coado na hora rescendia por toda a casa, independente da hora ou do dia da semana. O combustível para a disposição, no passado tido como um entorpecente descoberto por ‘cabras que ficaram loucas ao comer os grãos no campo’, nunca permeou a ideia de Ana até ela se mudar para São Paulo fazer um MBA em gestão de negócios, e descobrir que o café poderia ir além de uma lembrança de infância.

Surgia aí a ideia de trabalhar no apoio a quem também tem esta paixão. “Muita gente de várias formações vê no café um hobby, uma fuga do stress, assim como os cozinheiros que acabam por virar ‘chefs’ de cozinha”, explica Ana Argenta ao falar da profissão de barista e da gestão de cafeterias. Ela e o sócio, Daniel Munari, viram que a paixão de muita gente precisava se profissionalizar, mais ou menos quando ser barista, este profissional das cafeterias, começou a ganhar corpo no Brasil, em meados de 2006. “Preparar café não é simplesmente colocar o pó no coador e colocar a água quente. Vai além disso”, completa Daniel, um egresso da administração e do marketing e que se profissionalizou na área.

A palavra Barista, que significa ‘atendente de bar’ em italiano, é o especialista em transformar cafés de qualidade em bebidas especiais, com frutas ou outros drinks. Ele é o responsável por ‘pilotar’ aquelas máquinas que vemos nas cafeterias da cidade, sabendo a quantidade exata da extração que vai gerar qualquer uma das bebidas servidas ali. “Mas não se trata apenas de operar a máquina. Ele vai tratar dos mais diversos preparos, como o coado, o Latte Art, entre outros”, explica Eduardo Scorsin, barista formado há 12 anos por escolas italianas e que faz consultoria em Curitiba.

A profissionalização do barista é uma necessidade de mercado e também uma paixão de quem atua em outras áreas. Segundo Eduardo, o barista “tem um perfil técnico que precisa aprender sobre cafés de melhor qualidade, diferente do que é vendido nos mercados. Isso porque o preparo de cafés exige toda uma técnica, mas também conhecimentos que vão além do preparo”. O barista também é responsável pelo atendimento ao cliente, e muitas vezes precisa lidar com emoções das mais diversas, “porque a gente nunca sabe se o cliente está de bom humor, como foi o dia dele, e o barista acaba absorvendo emoções”, completa.

No entanto, ser barista no Brasil é bem diferente daquele original, da Europa. “Lá na Europa, por exemplo, o profissional do café precisa passar por um curso, ser registrado e certificado, para só então poder trabalhar como o responsável por uma cafeteria”, explica o consultor. Já aqui no Brasil, “a maioria das cafeterias contrata os baristas como atendentes, sem dar o incentivo e a qualificação para ele ir para frente. Com isso, a rotatividade cresce muito, e nem sempre a qualidade acompanha isso”, completa. Ainda segundo Eduardo Scorsin, “aqui a gente está avançando, aos poucos, mas já há um movimento pela profissionalização do setor”.

“Essa profissionalização do setor também é acompanhada dos desafios que é ser barista”, finaliza o consultor. Isso porque a atividade “é tão estressante como qualquer outra da área gastronômica, em que se ganha pouco e trabalha muito”. “Sábado, domingo, feriado, por mais de dez horas por dia… não é uma atividade fácil”, completa.

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